ABISSAL REALIDADE


Quando caio no abismo de teus braços, sempre morro. Fecho as mãos e salto para o infinito delírio, diluindo o prazer, gotejando palavras sem voz ou cor. Nunca sei o que houve quando volto para dentro de mim. Nunca te chamo de amor. Viro as costas, abro a porta e atravesso para a realidade atroz, sem lembrar do instante solidificado no ar, sem entender de desejo e luar.A vida calada segue atrás de mim. Vem com as mãos amarradas e o olhar desabitado. Depois que deixo-te no espelho, a vida não tem mais metáforas.

Karla Bardanza

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