CONFISSÃO



Toda essa explosão da minha alma é uma árvore podada gritando por claridade, buscando os dias que não são noites quando as noites sangram em luares rasgados pela tormenta que é apenas minha. Todo o vermelho de meu batom escorre para dentro de mim em gotas sofridas, caladas por memórias que estão fixadas nas asas perdidas, nas fotografias de um tempo que o vento levou. Havia tanta leveza nos meus olhos e pele. Havia o que não encontro mais nos vales verdes em que floresci. Quando eu for semente novamente, minhas raízes serão doces e a água será plena. Quando eu for forte, a alma não será mais pequena e a poesia será toda minha.


Karla Bardanza

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