DENTRO DA TORRE

Quando ela sangrou, sangrou, olhando para o céu, sangrou deliciosamente, lembrando que era mulher de novo. Depois, ficou segurando a faca sem muito cuidado, parada, absorta em pensamentos sem respostas, em orações que não sabe fazer.Talvez estivesse descompensada. Alguém havia lhe dito que amar o desconhecido era uma coisa para gente descompensada e ela, ela sentiu-se tão ridícula, tão pequena, tão feroz.Percebeu que o amor ou seja lá o que poderia ser, era uma doença, uma loucura, um nome de uma pessoa que não existe, que não é real. Colocou os pés no chão, fechou-se, armou barricadas ao redor, enclausurou-se na torre, ficou tão só, tão só.



Karla Bardanza

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