FUGA


Esse encantado momento é feito de cítaras e sonhos. Olho para mim e as minhas asas levam-me para bosques perdidos, suspensos entre a fantasia e o segredo. Contemplo os vãos de minha mente, escrevendo todos os mistérios que o meu mundo onírico procria quando perco-me nos braços da poesia, sentindo toda a candura que faz falta. O real dilacera o meu corpo, afoga o meu desejo enquanto afaga o cimento insensato da cidade sem geografia. Minha identidade é bordada com os fios do infinito, com a beleza que carrego e fito na rudeza dos edifícios, nos tetos sem vida das casas caiadas.

Todas as fraturas que a vida já pode me proporcionar estão guardadas nas gavetas de minha mente veloz. Fecho os olhos e desato nós, dormindo dentro de mim.

Karla Bardanza

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