A MÚSICA DOS AMANTES


Todas as melodias que ele retirou daquele corpo foram celestiais. As notas musicais sempre se espalhavam pelo infinito, por universos paralelos, por aléias recheadas com amores-perfeitos amarelos, pela eternidade surreal. Ele a tocava tão intensamente e ela apenas era a expressão do todo profundo. A perfeição sempre esteve nas mãos sublimes daquele homem sem rosto, na poesia que arrancava sussurros e sonhos, em tudo que aquela mulher queria tanto que fosse unicamente dela porque ela sempre foi apenas dele.Todas as vezes que ela se abriu sentido o som do coração dele tão perto, ele teve a alma dela em suas mãos, ele teve o que ela jamais deu a ninguém: sua verdade, seus medos, sua vergonha, o seu amor.

A música daqueles amantes vibrava harmoniosa até quando eles brigavam e calavam-se, angustiados, carregando a ira como consolo é dúvida para depois, flutuarem um na direção do outro propagando a delicadeza pelo ar.Sim, a sintaxe musical deles era feita de afinidades e tempos fortes.Apenas eles puderam desencadear momentos de rara beleza e expressividade e multiplicaram a emoção.Nenhuma arte será tão divina quanto a deles. Nenhuma..E eu que sempre gostei de Schopenhauer e que como ele,sempre acreditei que o mundo da música é o mundo do sentimento porque é aquilo que é mais íntimo e indizível, sinto que nunca mais haverá melodia mais bela. Nunca mais.


Karla Bardanza
   

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