VIAJANTE

Será que esta tarde demais para esta misteriosa viagem? Preciso navegar em águas raras enquanto todos os peixes pasmam e as ondas quebram todas as desumanas verdades que vigio e mantenho escondida.
Onde sentir essa intensidade adormecida? Estou farta destes limites, desta seriedade que não voa. Sou marinheiro e o mar queima em minha pele. Todas as correntezas me arrastam para os braços do destino que me espanta e devora. Demoro no cais. Observo as horas caindo lentamente. Observo a sombra distante. Não aceno. Vigio o sonho. Mantenho a distância necessária para que ele me veja e abra a porta do infinito.
Ouça as águas gritarem o meu nome: ecos da aventura. Tudo que busco parece que jamais conhecerei e tudo, talvez, seja apenas uma casa com varanda morando nos teus olhos ou o mar empurrando o meu corpo para o mais profundo dos teus enigmas.
O teu amor é uma orla longe, perdida em alguma terra e você é tão lindo que me dá medo. O que vou encontrar nesta viagem acende o sol: darei tudo para ele, menos a minha escuridão. Será que está tarde demais para que minhas palavras avancem para ti?

Karla Bardanza

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