MR CHRISTMAS MR LAWRENCE


Não quero lembrar das lembranças.Falar da água subindo, arrastando o pouco, o tudo. Esse mergulho tão profundo no absoluto, no absurdo da vida em cima da cama é como uma onda arrebentando nos rochedos da infância, sem paz e sem meio.O durante não houve.Ouve o rio subindo? A chuva alagando a casa?

Essa bagagem ainda arrasto pelos cantos escuros.O medo transborda manso, rompendo feroz o corpo ainda parado. O medo é um presente morto. Ele está nos móveis perdidos, no dinheiro que não dava no final do mês, nas dúvidas alargando a noite molhada, na insensibilidade alinhavada na palma da mão diante da luta: eu ou eles.

Todas as coisas caladas nunca se calaram. O que resta sempre é a superação. A chuva ainda (me) destrói. Penso no filme Mr Christmas Mr Lawrence. Aprendi muito com o major Jack Celliers. Aprendi muito vendo filmes e entendendo que a dor: a minha , a sua, a de todos é igual. Sempre é igual. Aprendi com a vida que temos que seguir em frente.Não importa se as mãos estão vazias e a esperança torturada. A vida sempre continua.

Karla Bardanza

0 comentários:

Postar um comentário

Pode falar agora!