PARA SER EU MESMA

Ilustração de Paul Fleet


 Minha mente transborda. É água caindo sem fim, jorrando ao redor em cântaros e panelas. Não posso me conter. Meu corpo não me obedece quando a imaginação extravasa. Assisto essa vida que me escapa e vai além, levando palavras e um pouco de mim, matando a sede de quem desconheço.

Na minha solidão, algo acontece quando a lua me recebe em noites sem nome. Permito que as minhas idéias e os meus sonhos escorram pelos meus cabelos e pousem em papéis sem linhas e sem limites, e apenas assim sou fonte eterna e mansidão.

Enquando a hora caminha, eu saio de mim para ser eu mesma.


Karla Bardanza

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