PETRIFICADA


Debaixo do musgo, aguardo o vento. Aguardo os dias que não chegam. Meu calendário está pendurado atrás de alguma porta fechada. Não sei em que dia comecei a deixar a poeira se acumular nos móveis. Às vezes, conto as teias das aranhas penduradas ao redor da casa, para me sentir menos só, menos coisificada,  menos engavetada em palavras que emperraram na alma.


Espero a vida acontecer, espero os ponteiros do relógio anunciarem a hora absurda, muda de emoções e desastres. Fico parada, olhando pela janela e quase posso ver o horizonte, que se deita tão longe do meu jardim cheio de ervas daninhas enroscadas nas árvores sem resistência.


Algo está petrificado. Pego o martelo, tento lapidar a pedra bruta do corpo que perdeu o desejo. Não consigo ir além: as mãos doem, o desânimo borda uma bela teia, amarrando os meus braços. Descanso o sentimento pelo avesso e nem me preocupo mais com o destino que teço.




Karla Bardanza

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