ENTRE AS FERRAGENS


Tenho pensado muito e deixado os punhos fechados na boca. Tentei caçar sorrisos no ar. Poderia guardá-los e usá-los uma vez ou outra.Não consegui também. Parece que neste exato momento, estou acorrentada à minha própria gaiola. Estou do lado de fora, preparada para entrar e ficar onde nunca sai verdadeiramente.

Olho a vida com a distância necessária que me impede de ver com exatidão. Minha hipermetropia e o meu astigmatismo sempre embaralharam as linhas da minha mão. Não estou perdida. Estou apenas sem vida nas veias. A teia das horas mobiliza os sentimentos.

Ontem, fiquei olhando a mesma estrela no céu até os olhos se rebelarem. Algumas coisas são inxplicavelmente imortais. Outras por serem frágeis e precisarem de vitamina, morrem na primeira batida da esquina. Capotei.

Meu coração ficou preso entre as ferragens, esmagado pelo peso dos acontecimentos e pela falta deles. Talvez, eu precise de um transplante. Estou na fila esperando sempre o que nunca chega.

Levantei, cheia de pontos e nem pedi ajuda. A manhã era absurda e inglória: não tenho vergonha de sentir. Tenho vergonha é desse espaço vazio sempre coberto de roupas e desajustes.


Karla Bardanza

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