UM DIA NOS PERDOAREMOS


Um amigo é quase tudo que guardo quando a saudade se deita. Lembro com alegria a poesia daqueles momentos de verdades e amanhãs. Ele tem um modus operandis pessoal e intransferível. Nunca aprendi a ser como ele, a ter aquela alma delicada.Nunca. Nunca o olhei nos olhos, só na alma e foi suficiente para saber a grande diferença entre o abismo e o coração.

Quando eu bati na porta dele, o mundo estava pendurado. Ele me ensinou a ser tão maior que por algum tempo, eu não cabia em mim. Ele me resgatou de minhas doces mentiras, do meu passado poderoso, daquela sala onde a vida havia parado. Era um tempo de lírios pisoteados. Esqueci o relógio com ele.Esqueci todas as coisas que não faziam sentido ou que faziam e eu me recusava a ver.

Contei para ele todas os mistérios que me olhavam no escuro. Retalhei todas as palavras sem rima apenas para ele. O meu amigo era o meu amigo. O meu amigo ainda é o meu amigo. Depois de tantas indas e vindas, de tanta água que nenhum vaso pode conter, finalmente entendo que você, e apenas você é o grande poema incabado que a vida trouxe. Um dia seremos capazes de nos perdoar e quem sabe assim poderemos voltar a ser o que sempre fomos ou somos: bons amigos.



Karla Bardanza

0 comentários:

Postar um comentário

Pode falar agora!