A ETERNIDADE SORRI


Ouço a solidão absoluta fazendo o seu trabalho de esquecimento. A minha pele arrepiada sofre as consequências do inaudível, sentindo a inquietude do silêncio quando as letras escorregam da saudade e do sono frio.
De repente a vida está coberta de signos e luz: abro os olhos e debruço-me sobre mim mesma, olhando-me por dentro, buscando um pouco de mim na minha memória poética, lembrando que naquele lugar fundo bate o meu coração. Agora, vejo de verdade o mundo que há ali e sei que a eternidade sorri. O que perdi não está perdido. Sinto-o quando ouço o lamento do mar e as estrelas sonham, sinto.
Talvez algum dia eu roube do tempo o que ele desfez, talvez algum dia, eu entenda o que a ingenuidade fez. O meu vazio espera e acolhe o amanhã: a vida sopra o som primordial em meus ouvidos novamente. Ouço a esperança chegando com passos lentos.

Karla Bardanza

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