TANGO

Seduzo os teus olhos enquanto entrelaço os meus passos e pernas no teu destino, fingindo que nada sei quando dialogo com o meu desejo. Exibo meus sapatos vermelhos, minhas palavras envergonhadas sem temores, sem esquecer que você é um espectador ocasional, um voyeur assustado, sempre à beira do quase.

Danço o meu tango às avessas sem alarde, apenas com aquela leve intensidade cabível no momento, no instante que se deslumbra com o meu ardor e como quem não quer absolutamente nada, te chamo de amor com os olhos cheios dessas coisas que você não sabe decifrar ainda.

Atônito você procura me entender, procura o que não pode mais achar: estou tão perto mesmo na distância, que separa o que já foi do que poderia ter sido.Estou nessa sedução feita movimento, nesse tempo de delicadeza, nesse encontro entre dois mundos paralelos e por alguns minutos, nosso elo é a música que interrompe o ar com tanta agonia.

Minha boca vermelha muda nada mais pode te dizer. Limito-me a ouvir o lamento desse tango enquanto os acordes morrem sem força pelo ar e como quem já perdeu todas as fichas no jogo, lembro-me que o teu amor é simplesmente um jogo de azar.



Karla Bardanza

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