AS MÃOS DA ETERNIDADE


Meus vãos adormecidos, meus vazios tão completos não pedem mais a aventura do sol. Eles descansam na sombra da lua respirando todo o sentimento do ontem. Por vezes, relêem todas as palavras tatuadas nas costas do vento, buscando o cheiro da esperança, a flor mais vaga e batizam o instante com um líquido afeto. Todas as águas são poucas. Todas.


Há tanta ausência nas paredes, nos sofás, no mar distante que me lamenta. Não é a piedade que está de plantão no peito.É apenas o medo de não reencontrar a eternidade de novo. O que vejo agora é que não estou mais entre dois infinitos.O que sinto agora é que a mão deve cuidar para não ferir o tempo.


Estou suspensa entre eu e eu mesma. Não trago propostas tampouco busco soluções. Resta a dura tarefa de viver, de varrer a calçada da hora e de plantar palavras no ventre da terra.Todo o resto é uma questão de (des)acontecimento e espera sideral. Todo resto está nas linhas caladas da mãos da eternidade.






Karla Bardanza

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