CARTA A UM MORTO


O destino, esse destino sem roupas e sem escrúpulos trouxe tuas ventanias para perto de mim.Deixe-me levar pelo teu cavalo de vento.Deixe-me.Não te odeio por ouvir o furacão lamentar.Não sabias que podias esconder o sol nas mãos frias e toscas.O que odeio em ti é a graça torpe de tuas palavras, é o todo ridículo que prescreveu junto com as doenças de tua alma imunda.

O que odeio em ti inunda o meu sangue de pérfida alegria, aumenta o poder das minhas atrocidades, alimenta a besta em mim.Sinto a lava sair quente enquanto te vejo ardendo no meu caldeirão silencioso e espumante.

O que odeio em ti, desnobre homem, não é nem o teu sujo coração.O que odeio em ti, meu caro morto, é esse bem podre e lamentável dos fracos e dos mentirosos.



Karla Bardanza

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