QUEM PODE ROUBAR AS MEMÓRIAS DO TEMPO?


Vejo no espaço mil pedaços de mim, estilhaços desenhando todo o infinito aberto ao teu entendimento. Vejo o tempo fraturado pelas emoções: mãos na boca, o espanto diante do inexplicável, a palavras interdita quando a minha própria sombra me fita.Não me culpe, aprendi essas atrocidades com alguma desilusão. Já era tarde quando descobri que carregava o nada nas mãos. Havia esse segredo que nos une, havia uma cama cheia de coisas que não podem ser lembradas.


Mas quando lembro, sangro tão devagar morrendo diante do mar, morrendo por essas coisas que me custam tanto falar. E mesmo quando abro os olhos, elas estão lá, penduradas no calendário rasgado daquele ano em que morri, daquele ano em que algo começou a ser me roubado.


O silêncio esconde mentiras. Alguém me salve, por favor! Alguém me tire daqui!Alguém me escute!Alguém me escute! Por que ninguém consegue ver?Por que?A porta fechada, eu estou atrás dela. Eu ainda estou lá, assombrada, alma amarrada, não consigo encontra a minha voz.Não consigo.Quem falará por todas elas? Quem falará por nós?


Mesmo agora, mesmo agora eu ainda posso sentir. Ela ainda está aqui. Ela ainda está aqui dentro de mim.
Quem pode me absolver do crime que não cometi? Quem pode me fazer dormir o sono pleno do esquecimento? Quem pode roubar as memórias do tempo?Quem aguenta ouvir outras histórias tão iguais, sempre tão iguais?


Por que a morte tem gosto de paz?




Karla Bardanza

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