ARMA BRANCA


Esperei armada pelo amanhã. Esperei, olhando por cima do passado. Minha espada sempre pronta para o melhor desafio, para desenovelar todos os fios que me prendessem aos mistérios de mim mesma. Nunca pedi a alguém que os decifrassem. Minha maior proteção sempre foram essas coisas que as pessoas não conseguem entender ou adivinhar quando o céu engole o mar e a Lua chora junto comigo.



Um dia, o tempo me desarmou graciosamente. Joguei a espada lá do alto e fiquei com as mãos vazias de sentido. Eu estava nua e pronta para cair no abismo com gratidão. Não percebi quando as palavras entraram em mim e me rasgaram por dentro, enfiando a lâminha mais afiada e perfeita no meu avesso.



Quando leio a palma da minha mão, sempre me pergunto em que momento a minha linha do amor foi apagada, em que momento os meus poemas tornaram-se sal e nada. Todas as respostas estão na ponta da faca que cravei no teu peito depois de ter tanto ódio de sentir o que ainda sinto quando morro, quando minto, quando corro de mim mesma.









Karla Bardanza

Um comentário:

  1. Tão lindo o que escreves... e aqui, revejo-me em cada palavra...e adoro essa música... beijinho meu

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