O DITO PELO NÃO DITO


Tenho vinte minutos para escrever, vinte minutos e nada mais. Antes destes vinte minutos,  a vida era devir. Agora, estou aqui, de frente para mim mesma e pouco sei de mim. Tenho vinte minutos e mãos que não conseguem se salvar ou modificar o mundo. Tenho um resto de momento antes de ir matar um leão. Acho esta expressão anti-ecológica. Prefiro engolir sapos. Faço com tanta classe. Matar leões exige uma força que não mais tenho. Essa coisa de engolir sapos é estranha também.Porém, é mais rápida e indolor. E ai, vai um sapinho com ketchup?

Bem agora tenho dez minutos e vejo tudo ir pelo ralo abaixo rapidamente. A vida é água escoando. Por que será que alguém fecha a nossa torneirinha? Por que será que empurramos a vida com a barriga se não temos mãos lá?! Não faço isso com a minha. Prefiro que ela me leve com sabedoria. Nossa! Isso parece uma filosofia de alcova!

Algus minutos me restam: coloquei os meus óculos cor de rosa e vesti azul. Sou uma andorinha sozinha que não faz verão. Tá bom assim. Tenho ainda um pássaro na mão. Tive pena e soltei os outros dois enquanto aguardava o fim do tempo.

É, agora acabou-se o que era doce. Espero apenas que o vento não leve as minhas palavras e se  por acaso levar, que elas tenham quinze minutos de fama  e o dito não fique pelo não dito.


Karla Bardanza

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