OS LIMITES DO MEDO





Across de bridge - fotografia de Joan Kocak


Quando ele pensa nela, pensa não querendo pensar. Às vezes, ele tenta empurrar os pensamentos para fora da cabeça e o corpo emtra em conflito porque o desejo come-lhe as entranhas mornas, a vida desigual e doente.

Ele nunca teve vontade de se aproximar dela: dez metros era a distância ideal, o tamanho exato do desapêgo e desdém. Ela ficava tão bem longe, tão mais fotogênica e amigável. Permitiu que os desencontros os afastassem mais. Melhor assim.

Um dia, ele a viu chorando. Fugiu. As lágrimas amontoaram-se aos seus pés como imensas pedras que não conseguia carregar. O que viu queimou seus olhos, incendiou a sua alma, afogou a sua calma.

Ela ocupava lugares demais dentro dele. Ela o assombrava com imensas dúvidas. Mesmo assim, manteve-se dentro de suas fronteiras fracas e leis que esperavam dormindo por sanções ou quem sabe, possíveis explicações.

Quando ficava perto dela, ela o olhava com aqueles grandes olhos mansos e curiosos, arrancando a capa de suas inverdades. Ele achava que ficava menor  toda vez que ela o fitava com aquele ar indefinido e amoroso.

Dentro dele há lagos e Flores de Lótus, sereias, fadas e unicórnios. Dentro dele, há encantos que apenas ela desperta, mas a porta aberta, deixou que ela escapasse. Ela está quase atravessando a ponte para nunca mais voltar.

Ele continua olhando, parado, assustado, pensando o que aquela mulher sem brilho carrega
que o ilumina tanto. Porém, ele colocou a última imagem dela num canto qualquer dentro dele. Desde então, tem saído muito mais. Estranho é que ela se foi e carregou o resto de luz que ele tinha e também toda a sua paz.


Karla Bardanza










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