CARTA PARA GEORGE

Foto de Teresa Queirós



Um dia, as coisas voltarão aos seus lugares e poderemos nos perdoar por sermos tão sonhadores. Um dia, estaremos mais perto do céu e os nossos corpos e almas não serão apenas pedaços das palavras que riscamos à meia-noite.

Enquanto viajas com medo de tudo, fico aqui com o meu coração surdo do lado de fora. Às vezes, penso que as coisas são como devem ser e sofro por essa certeza tola, por essa inexplicável vida que nos afasta, nos destrói com a sua indiferença e descrença em nós dois. Então, há uma cólera honesta em mim. Há uma dor que me atrasa mil séculos e manda  que eu reencarne mais uma vez, até que eu possa curar os cortes que fiz nos pulsos, quando eu estava bem menor, bem menos e só.

Não sei se conseguiremos fazer o que temos que fazer, antes que tudo seja feito e dito. O mundo anda rápido demais para dois perdedores, para aqueles que se enfurecem com as estrelas. Deve haver uma bússola perto de nossas mãos, deve haver um cobertor enorme para nos proteger desse frio que insiste em congelar o nosso destino.

George, amanhã será outro dia. O que teremos então? As mãos encobrindo as faces, o líquido afeto transbordando, escorrendo sem saber onde chegar como eu e você. George, ficaram os poemas, os quadros, os desenhos, as palavras, as músicas, as fotografias, as fantasias, as palavras, o amor: o amor de sempre, de antes, de outrora.

George, agora já é tarde demais para sofrer.


Karla Bardanza





 



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