FRAGILIDADE


Primeiro, ela afundou no sofá por alguns minutos e ficou olhando a televisão sem ver ou ouvir nada. Sem forças, culpou-se mais uma vez. Depois, levantou e entrou no chuveiro de roupa e tudo. Ficou inerte até começar a tirar peça por peça, com os olhos que já não enxergavam a diferença entre a água e os azulejos cheios de limo e solidão. Tudo se confudia nas gotas de suas lágrimas, de seu estranhamento, de sua incerteza e convulsão.

Queria lavar o sentimento de fracasso e de impotência. Esfregava e esfregava a pele, tentando tirar o ranço do passado, a mancha da agonia, o pavor de ser o que não escolheu ser. Havia tanta ira, tanto desespero naquelas mãos, naquele rosto sem olhos. Esfregou até esfolar a própria pele e justificar a dor, esfregou até o seu corpo encher-se de grandes desenhos vermelhos.

Depois, jogou-se molhada na cama e nunca mais amanheceu. E nunca mais acordou, prometendo que aquele dia seria melhor ou diferente.



Karla Bardanza










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