A JUSTA MEDIDA



Enquanto ele arruma as coisas para a sua viagem, ela olha mais uma vez para a distância que os separa e une com aqueles olhos cheios de profundezas e caridades. E ele que tinha guardado tantos poemas antigos, sentiu que eles finalmente faziam sentido porque ela tinha dado sentido a todos eles. Aquele despertamento veio cálido, veio manso, veio com todos os blues que ele sabia tocar e tocava por qualquer dinheiro.

Ela que tinha esquecido seus desenhos no canto do armário, voltou a colorir a vida: pintou mandalas, desenhou o futuro, esboçou pontes que levaram os dois ao céu. Logo eles dois que tinham perdido tantos pedaços ao longo do caminho.

E agora, bem agora, a vida parece um quadro cubista. Todas divisões da dor parecem simétricas e perfeitas, A grande obra se desestrutura e eles caem da altura de seus sonhos, desfigurados, desencantados e, ainda, amando como antes.

Ele está indo embora. Ela está chorando. Às vezes, o amor separa. Às vezes o amor é um poema trancado ou um desenho dentro de alguma pasta. Eles provaram o que poucos conhecem: a grande emoção de ir além.

Ele atravessou a porta, ela atravessou também. Mesmo sozinho, ela estará dentro dele como uma música ou palavra. Mesmo ficando para trás, ele estará dentro dela como uma janela aberta para as estrelas. Isto é o que um tem do outro: a justa medida, a plena certeza que aquele amor sobreviverá até a própria vida.


Karla Bardanza

















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