AS MESAS QUE NÃO CONSIGO VIRAR

Fotografia de Nadya Kulikovo



Fiquei sentada, inerte, impotente, sentindo o sol, lá de cima, lá do alto. A tarde sedava o corpo, assustava tudo dentro. Sou tão fraca ainda diante do que sinto, diante das mesas que não consigo virar. Não me procuro nestes momentos de mim comigo mesma porque não sou o sonho de ninguém. Não aprendi a ser furiosa como deveria. Eu e eu ali, intranquila, de olhos fechados, olhando todas as coisas guardadas com amor: todas as coisas que agonizam porque respiram e pedem socorro. Tudo que tenho está no chão, lá embaixo olhando para mim. Quando eu cair, que seja de braços abertos, que seja eterno. Não tenho mais forças para mais uma guerra. Estou cansada.


Eu sempre quis acreditar. Eu sempre quis ser enganada: especialmente por quem amo. É sempre mais alucinante a última (des)ilusão, essa que te faz falar, que chega pronta para dar o colo que você tanto precisa e renega. São adoráveis erros. Todo o perigo está no canto em que a dor fica. A sombra parece sempre maior na escuridão. Ainda estou na caverna escura dos acontecimentos, olhando o que não merece ser vislumbrado por ser apenas um tosco teatro, uma tola encenação do ontem. Engane-me mais uma vez. Por que isto é o trovão chamando-me?


Estou pendurada no penhasco, sem olhar, sem pensar. Todos os espaços aqui dentro querem apenas sentir sem entender, sem classificar ou definir. Todos os espaços aqui dentro não entendem quando você precisa mentir, quando suas dimensões ficam tão limitadas por palavras, por pequenas palavras.
Abro os braços e salto para o infinito morrer. Não importa quanto tempo levará desde que eu caia longe de ti. A melhor queda ainda é aquela que faz refletir, que deixa à mercê dos deuses quando estão fiando o destino e cortando as horas. Que isso inominado em minha alma possa ir embora sem olhar para trás, uma vez mais, uma vez mais.






Karla Bardanza


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