DESASSOSSEGO


Fotografia de Amber Gray



Sinta-se desconfortável: meus olhos sem vida te comem. O desejo está na boca fechada, no sorriso que não vem à tona, na visível invisibilidade desse mal-estar que tenho prazer em te causar.Sadismo todo meu.


Sinta-se oprimido: não te vejo onde está vazio e se te vejo, antevejo o prazer. Essa tortura faz meus lábios gotejarem. Pulsão de vida alargando a pele, o sexo inteiro, o fogo pronto no isqueiro.

Sinta-se devassado: procuro tuas imperfeições para lamber, saciar minhas águas atormentadas, o meu nada enorme e suave. Sede e fome. Teu nome dentro, teu nome antes, teu nome explode junto comigo.

Sinta-se incomodado: na distância estou perto, farejando com devassidão os teus pelos, as tuas mãos. Instinto para além, pecado quase bem. O querer não enxerga convenções, não respeita o que não pode mais ser respeitado.

Sinta-se angustiado: estou aqui. E se parto, nunca parti. Estou na tua frente, do teu lado, nas tuas costas. Estou onde ninguém pode se aproximar.

Sinta-se pertubado: minha presença desassossega e se desassossega, algo em ti nega ou renega o que não pode ser esquecido.O sentido faz sentido. A vontade é mais um mistério.

Sinta-se ou sinta somente o que a minha mente indecente percebe e quer. Molho-te os dedos, evaporo com sofreguidão. Sinta com os olhos fechados o que sobrará de mim em tuas mãos. Sinta com os olhos bem fechados o que eu te deixar sentir: divino é sempre o que fica na esquina da alma, no corpo sem esporas ou calma.Divino é sempre aquilo que desconcerta.


Karla Bardanza












Copyright©KarlaBardanza2011 Photobucket

0 comentários:

Postar um comentário

Pode falar agora!