A FRAGILIDADE DOS TEUS PARÊNTESES

Fotografia de Carlo Bellavia


Digo-te essas coisas moídas, pedaços de vidro na boca. Digo-te do que quebrou com a fragilidade
dos teus parênteses.Há pouco nestas palavras ainda que eu te fales dos cortes do lado de dentro. Há apenas o tempo arrancado pela navalha que ficou no sangue jorrado, nas gotas velozes e separadas do até então. Precisas aprender a sangrar com os feridos. Precisas do entendimento do nada que acompanha a dor grande e pequena. Deixei os cacos, as lascas no chão: pises. Este é o caminho para a compreensão. É preciso que teus pés estejam descalços para que sintas toda a  minha verdade e desassossego. É preciso que tudo espere a tua dissolução.

Não temo mais o que não fica para o meu sempre. Não quero mais colar o que foi quebrado. Há alguma arte na louça espatifada, nos cacos que parecem inaproveitáveis. É preciso partir, pisar, parir uma nova realidade. É preciso crescer enquanto o passado está a despedaçar.

Adivinhes meu rosto no quebra-cabeça destes cacos. Adivinhes o que nunca te direi com a boca lanhada pelas palavras quebradas. Suporto tudo que não podes mais porque eis que nisto está tudo, está toda a minha desesperada paz.

Digo-te o que ainda escondo nas reticências, nos vazios das aspas porém, que seja amanhã ou depois de amanhã talvez.



Karla Bardanza



Copyright©KarlaBardanza2011 Photobucket

0 comentários:

Postar um comentário

Pode falar agora!