AMOR EM TEMPOS DE CÓLERA

Fotografia de Philip Bartz




Colocou a mão na cabeça e já cansada, disse que não queria mais ser responsável. Nunca por um minuto sequer, tinha arquitetado aquela saída que virou compromisso quase amor. Ela não queria carregar o relacionamento todo dia com telefonemas, torpedos e o eu-te-amo-demais no final da noite ou do sexo bonitinho. Não estava preparada, disposta ou interessada em dar mais qualquer passo que pudesse levar a uma aliança no dedo. Gostava tanto de anéis.

Ele a ouvia com o corpo todo, com as cicatrizes de fogo, com o pensamento no onde-foi-que-errei sem falar absolutamente nada. Não entendia as mulheres mesmo. Quando era um canalha, elas o queriam. Logo agora que tinha decidido ser um cara elegante e delicado, isso estava acontecendo." Bem feito pra mim!" pensou baixinho. Não podia acreditar que após tanto tempo, ela estava ali, educadamente, mandando ele ir embora e justificando tudo com aquele papo libertário-feminista. Ele odiava mulher
moderna, cheia de teorias e papo-cabeça.

Engoliu as palavras dela calado, jogou as chaves do apartamento no sofá e saiu para beber sem muita vontade. Ela sentou e ficou ali roendo as unhas, pensando que era bem melhor que tudo acabasse antes que pudesse sofrer novamente. Sentiu-se vitoriosa: finalmente tinha aprendido a ser livre, só não sabia até quando.



Karla Bardanza


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