APENAS MAIS UMA

Fotografia de Koto Bolofo


Os adjetivos ajoelham-se:cheguei sob o signo desgovernado do aniquilamento.
O peso dos andrajos é indisfarçável. O peso respira nos meus ombros nus e marcados. Aqui jaz a água potável. Aqui jaz o silêncio e o sossego e todos os peixes mortos: saúdo-os com gratidão.

A morte não existe.A morte é a desordenada simetria do céu e da densa poesia
quando acorda e transfigura a terra.Nesta escuridão, a guerra é bem melhor.
Minhas sombras não me deixam só e os adjetivos escorrem pelos dedos como água, como mágoa despojada e alucinação.

Cheguei e não carrego cruz nenhuma (despreguei-me dela). Não carrego asas também(elas me machucam). Sou apenas a muda, sou apenas mais uma, um número de identidade qualquer.Não espere nada.Nada mesmo.




Karla Bardanza



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