A DURA DELICADEZA DO BELO

Autor Desconhecido


Abri os olhos para as coisas que não tenho visto ultimamente. Estou exercendo a lei da contemplação com fé, buscando o que é bom de ver e que faz bem ao meu cérebro cansado e também à alma. Preciso urgentemente de suavidade. Creio que o meu oftamologista falou que esse era o componente principal do meu novo colírio, que esgotou muito rapidamente nas farmácias e drogarias. Depois de tantas manchetes apinhadas de morte e jornais pingando sangue, não careço mais de realidade. Estou deixando esse tipo de verdade para depois de amanhã.

Comprei revistas de jardinagem, arquitetura, animais e fiquei folheando, esquecendo o pensamento e tudo mais que não me serve atualmente. Não estou fugindo tampouco tapando o sol com a peneira. Desejo apenas a dura delicadeza do belo, a ternura do esquecido, um alívio para a miopia causada pelo excesso de imagens distorcidas da vida e mais nada. 

Estive com o meu oftamologista esta semana e tive boas notícias: meus olhos estão mais saudáveis. Contei a ele que estou fazendo uma reeducação visual, uma dieta de imagens, evitando as calóricas que pesam no coração. Fiz até uma agenda com os meus planos diários de combate a esta tristeza visual.  Amanhã, vou passar um tempo namorando as nuvens, observando a lua, afundando os olhos no mar. Quando a cama chamar o meu corpo, vou fechar os olhos e ao invés de lembrar de tudo que vi e não gostei, vou lembrar apenas de como os pássaros são fotogênicos e de como a vida ainda pode ser delicada.



Karla Bardanza


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Um comentário:

  1. Simplesmente D I V I N O !!!
    ESTOU TENTANDO A CADA DIA , FAZER UMA REEDUCAÇÃO VISUAL .CHEGA DE PESO NO CORAÇÃO!


    BJS...
    WANDA

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