QUANDO TE AMEI

Fotografia de Jake Stangel



Quando amei mais você, tive tanto medo do sol e desse calor distante e desconhecido que habita os covis das cobras insolentes. Embarquei sem vontade nessa viagem. Por algume tempo, morei no olhar casto de uma criança, fiquei embaixo do calor do pôr-do-sol.Você era tão abençoado.

Quando te amei mais,a respiração das flores demorava na minha pele, o trabalho silencioso da lua era uma resposta secreta para tantas perguntas. Você me absorveu na sua paixão, você me abraçou com dor. O tempo estava cego.

Deveria ter aprendido a conhecer as suas metáforas impuras posto que a brisa gentil não dura muito. Pensei em borboletas coroando o céu, pensei em criaturas aladas, em asas. As minhas, arrancastes.Dissestes que me levarias no colo.

As coisas estão doentes,eu estou doente. Cobras deslizam através de minha mente. Arrasto répteis. O passado coaxa enquanto a minha dor queima divinamente na escuridão. O amor é uma criatura escorregadia dentro de buraco horrendo. O amor é uma visita do mundo subterrâneo. Quando te amei mais, havia uma cobra com sua cabeça em meu seio. Quando te amei mais, a picada da serpente doía menos, o veneno não matava tanto como agora.






Karla Bardanza



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