APRENDIZADO

Fotografia de David Hamilton





Olhou a mão procurando lentamente por todas as linhas. Sempre acreditara que a dela não tinha a linha do amor ou se tivesse, era imperceptível. Ficou ali, desenhando o futuro com os dedos: esse menino cheio de armadilhas. Enquanto tentava achar o que já desconhecia, o relógio marcava a vida escoando livremente, as coisas fugidias da alma, o todo sem volta.

Sentia-se quase só se não fosse a televisão berrando, a família ao redor, os gatos no sofá. Sentia-se quase coisa se não ainda reconhecesse a mulher em si mesma. Já não queria muito da vida: apenas viver. Os sonhos ficaram para trás dando lugar a nobre segurança. Não fazia mais planos porque sobreviver já era em si mesmo um grande plano. Quando sente com intensidade é porque se pergunta onde está aquela moça de grandes olhos tristes e mente nas estrelas. Quando sente, chora. Engana-se dizendo que é por conta da idade Mas não é apenas isso.

Quando ela acordar amanhã, estará um dia mais velha e mais longe de realizar-se. Não sofre mais por isso também. Aprendeu a contentar-se com o que tem. Ela não tem mais esperanças, nem ideais dentro dela ou qualquer coisa maior. Porém, ainda assim, ela tem quase tudo porque tem fome de mundo, porque ainda consegue sentar e procurar em si mesma o que nunca achou fora.



Karla Bardanza

Copyright©KarlaBardanza2011 Photobucket

0 comentários:

Postar um comentário

Pode falar agora!