O CÉU INTEIRO CABE NA MINHA CAMA


Fotografia de Christos Magganas



Depois que sol largou a pele nos lençóis acetinados das estrelas, agarrei a lua, coloquei-a entre as pernas para iluminar as minhas profundezas santas e loucas, revirando os olhos com todos os beijos que me fazem falta quando minha boca murmura coisas inexplicáveis sobre ti, sobre os tigres que deitam aos meus pés quando te amo e te odeio com inexatidão e fé.

Ergo as mãos para beber a Via Láctea e sonhar com todos os planetas. Saturno deita-se comigo e me ama, prendendo minhas mãos com os seus anéis enquanto suspira o que eu nem ouso dizer. Netuno bebe as minhas águas implícitas, afundando-me em mares guardados no meu peito e eu aceito Plutão lambendo minhas mãos com a voracidade necessária que me é comum. Marte é mais um que olho no albúm de retratos e Júpiter ainda me causa frisson à meia-noite e um bourbon.

Nada escapa e pela manhã, Mercúrio escorre pelas feridas abertas durante a noite em que fui mais Vênus. O céu inteiro cabe na minha cama quando você (não) me ama e a noite é apenas uma dama perdida em uma galáxia qualquer. Nestas horas de eclipse total, sou um ser siderante e sideral viajando pelos cosmos num terrível caos.



Karla Bardanza









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