CONFUSA(MENTE)

Fotografia de Hiroshi Nonami





Recebeu o papel sem olhar aquelas mãos, sem esboçar qualquer reação. Por dentro, estilhaço de estrelas, luas semi-mortas, naves espaciais explodindo.

Quando conseguiu ver, viu um pouco dos cabelos raspados, dos óculos antigos, do sorriso franco, coisas que desmachavam toda uma galáxia.

Além desta realidade, há um universo paralelo onde as coisas dão certo e sobrevivem a pressão atmoférica. Além deste agora, a hora dilue na boca, pingando esperança pelos cantos, escorrendo imensidão.

O outro nome para quem sobrevive à gravidade da Lua deve ser insatisfação. Acontecimentos desacontecem. Espera-se dois bilhões de anos para que algo possa nos surpreender e a única surpresa é a que está dentro de você: pedaços de desejo, um sentir sem nome, naufrágios, sufrágios, mares absolutos, lutos, luares amuados.

Rosas não crescem nos canteiros, mágicas são engolidas diariamente, tudo sente e mente se os beijos deixam começos sem fim e a eternidade alinha o eixo da Terra numa guerra mansa.

Mas, já é tarde e o Chapeleiro Maluco esqueceu de Alice. Ela está pendurada nos cometas. E enquanto, ele some, ela se perde no sétimo céu do país das maravilhas, ou talvez seja numa ilha cercada de imagens, em paisagens que ele bordou sem saber. E enquanto ele está cego, ela arranca os olhos e tudo vê.


Karla Bardanza






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