O AMOR DO AMOU

Fotografia de Teresa Queirós



Beijava aquela boca e nem sabia quem estava por trás dela. Queria era morrer de beijar, de fazer todas as coisas que o corpo quer. As mãos subiam, desciam, faziam um tour sem fim. Foi se entregando ali no escurinho da festa. Foi se deixando levar pelo desejo sem a mínima calma. Tinha pressa de ter prazer. Quanto tempo mesmo que não fazia aquilo hein?


De longe só se via os cabelos negros dela e mais nada. Parecia até que estava sozinha. A cabeça estava cheia de Martini, Vodka e Caipirinha. Ai! Andava tão sozinha...precisava-tanto-daquilo...A língua foi descendo pelo pescoço, subindo pras orelhas, as mãos descendo. Ele dizia coisas que ela nem se lembra mais. Ela não falava nada. Sempre gostou mais de sentir do que falar.


Foi tudo tão rápido, tão intenso, tão sei lá mais o quê. Ela, de olhos fechados. Ele, nem dava pra ver. Era assim quase que um sujeito oculto. Talvez fosse mesmo um sujeito indeterminado. Ela estava mais para agente da passiva. Não importa os termos da oração. O negócio foi a paixão instantânea, o corpo quente, a saia que quase nem levantou, o amor rápido do amou.


Quando acabou, ela arrumou os cabelos, puxou a saia e saiu apressada. Ele ficou lá fumando um cigarrinho. Se alguém perguntar quem foi, ela não vai saber. Disso tudo, só ficou uma coisa na cabeça dela: o obrigado que ela falou quando virou as costas e se foi.


Amanhã tem outra festa. Quantos obrigados restam ainda naquela boca?






Karla Bardanza




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