VIAGENS

Fotografia de Amber Lynn





Desapareço lentamente atrás das nuvens, viajando pelos céus, por coisas que me levam além desse real cansado. Transporto-me sem restrições, indo por onde ainda desconheço, tecendo teias, fiando o meus improvável destino. Não tenho pressa de voltar, despertenço-me, desengaveto-me, solto-me deste corpo: meu sempre cais. Sou mais etérea e fluídica quando deixo tudo para trás, esquecendo o que deixa as flores evaporarem. Não sei que descaminhos são esses, não sei tudo que deveria saber com a idade que tenho. No entanto, sinto e isso me basta. Minhas dimensões ignoradas ampliam-se quando a intensidade do agora faz com que eu me choque com a beleza. Há tanta dor no belo. Uma convulsão toma conta de mim quando contemplo o que multiplica o infinito. De nada preciso quando o espaço e o tempo abraçam-se porque dissolvo-me no que sinto. Quando volto dessas viagens, reconheço-me menos: nunca sou aquela que partiu. Fico sempre maior do que o meu sonho.




Karla Bardanza

















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