Ouvindo os sinosTibetanos

Autor Desconhecido

Além do céu onde os sons propagam-se mansamente pelas estrelas invisíveis existe paz. Todas as almas estão ali esperando o retorno enquanto o espaço-tempo dissolve-se. O passado esquecido abre as portas para o futuro, para as possibilitadas ilimitadas do amanhã e a vida recomeça com gratidão.


Quando voltei, acordei assustada. Não estava preparada para ser eu mesma. Isto ainda é um grande desafio diário. Às vezes, procuro-me embaixo das roupas, dos múltiplos eus, querendo saber o quanto ainda resta de mim em mim mesma.


Alguma coisa ainda é nostalgia. Sinto falta do que não tive, de algo que já foi e nunca deixou de ser, mesmo que não seja mais. Isso é o meu grande enigma que não procuro mais decifrar porque não há respostas tampouco perguntas.


Não sei porque cheguei aqui com esta lacuna, com este ponto obscuro em minhas profundezas. Não sei se algum dia poderei cimentar este grande abismo que me separa da completude. Entre o ontem e o amanhã, apenas a vida: esse poderoso bem, essa palavra inigualável no céu de minha boca.


Quando eu me for para o seio da Lua, será sem aviso prévio. Não quero que me paguem nada, nem quero sair devendo. Irei sem pressa ou expectativas e onde quer que eu esteja, ainda estarei viva.




Karla Bardanza



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