Dos encantos da flor


 Abriu o peito vagarosamente e deixou a mostra tudo que ninguém tinha visto ainda. Eram flores ali por debaixo da pele. Era um jardim escondido dentro do coração. Ele olhava as pétalas querendo fugir, querendo ficar. Nunca havia pensado que ver dentro das pessoas podia ser tão perigoso. Não conseguia parar de olhar para aquele cenário diferente, não conseguia mover-se. Estava paralisado assim como quem vê um roseiral pela primeira vez.

Ela continuava a abrir delicadamente cada pétala de si mesma apenas para ele e tudo era tão manso, e tudo era tão poderoso e diferente para ele tão acostumado a ver apenas os pequenos limites, as coisas sempre iguais. Pensou em dizer sim, em chegar perto e tocar a mais profunda pele daquela mulher. Pensou quando os pensamento caiam de sua cabeça no chão ainda assustador dos acontecimentos.

Quando a última flor brotou, ele a arrancou com força e seguiu o seu caminho ferozmente sem olhar para ela, para trás, para dentro de si mesmo. Nunca mais teve os olhos de antes. De vez em quando, ele abre um velho livro e namora uma rosa sem forças que dorme entre as páginas tristes. E quando senta cansado no sofá depois de noites vãs e procuras frias, repete apenas para não esquecer que o amor existe.

Karla Bardanza





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