Você imaginário

 Fotografia de Aramio Pazzo



Quase o vejo todo dia: as mesmas mãos desenhando enigmas nas areias que o escutam, o mesmo manso desespero pisando nos pés descalços, a juventude escutando vozes que me amedrontam. Ponho meus pontos de interrogação sobre a boca, escondendo meus sonhos de minha imaginação enquanto poemas agonizam em minhas esquinas. O que vejo nele é um pouco de mim, da poesia sofrendo. Se eu pudesse alcançá~lo antes do meio-dia, se eu pudesse decifrar a sua arte do impossível, eu poderia entender um pouco mais essa divisão, essa nau que o leve para oceanos ignorados.

No entanto, meus olhos inexatos não podem enxergar todos os seus contornos quando o sol fica mais parado e mais humilde. Há tanto para decifrar quando ele fala com os grãos, com as coisas guardadas pelo ar. Recebo-o dentro de mim imaginando que ele é o meu duplo, um pedaço andarilho de mim que não ouso entender. E quanto mais eu o observo, menos eu me salvo da minha própria loucura e vontade incompreesível de sentar de seu lado e conversar com os meus mistérios.


Karla Bardanza








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