Ela era um deserto






 Fotografia de Hellen M



Teve sede: uma vontade inexplicável de beber a vida e afogar-se nas águas dele. Foi um desvario repentino, talvez uma breve ousadia do pensamento sempre cansado de pensar as mesmas coisas.
Recostou-se na parede, escondendo-se da luz apenas para fechar os olhos e ver os detalhes fugidios de seu próprio desejo. Havia tanto para ter saudade. Havia tanta água derramada, tanta...

Não sabia como ele tinha tocado a sua mais profunda pele, não sabia por que sentia os lábios secos ou uma estranha aridez queimando as horas absurdamente iguais. Ela era quase um deserto, ela era quase o que se vê quando o rio encontra o mar. 

Teve sede: uma sede incomum de segurar o mar com as mãos e a vida com a boca, de ser louca, de ser tudo que cabe nos oceanos de um grande amor. 

Bebeu-se inteira com pressa, cortando os dedos com os próprios espinhos quando o sol rachava mais a pele insensata. E foi indescritível acordar mais sôfrega e inexata.


Karla Bardanza









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