Quase eu inteira


Fotografia de Ann Nevreva


Porque as flores alisam a minha alma e trazem o fogo adormecido do meu passado. Olho para trás e há jarras nas mesas e milhares de pétalas ocupando o ontem com graça. Ainda são elas que me lembram de coisas de algodão e do tempo chorando pelo tempo. Não tenho muitas palavras na boca para te falar de mim. Tenho imagens apenas. Sou dessas pessoas que tem problemas com narrativas e fatos. Prefiro o coração pulsando na fotografia escondida do albúm antigo, prefiro o que congelou e imortalizou contornos e formas quando tudo era nascente. Palavras perdem-se, somem na boca do vento. Imagens perduram, penduram-se na retina sempre aberta da memória.

Não há como me explicar. Se eu tivesse que dizer algo, falaria "delicadeza". Essa é a palavra que sinto falta quando me penso e quero apenas sentir ao redor nas heras, nas mãos das pessoas, nas vistas cansadas. Não sei muito mais o que te dizer. Confessei quase tudo que ainda me aproxima dos Deuses. Não sei como mudar o que sempre esteve em estado permanente de flor e brota pelos canteiros dos meus olhos. Tudo vai ser, é e não é. 

Porque há uma flor no nada. Porque há uma semente também.


Karla Bardanza










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