Manhã Vadia

Mark Olich


Vou me deitar cheia de preguiça nesta tua cama de gato e se eu cair, compartilha comigo a queda. Pode me mostrar o caminho e o lado bom desta história - deve haver algum. É tão bom cair para o alto e querer perdoar o universo para viver de verdade a minha luxúria, o meu sexo e a minha condição sem olhar para os lados e apagar a luz. 

Que bom ficar aqui, fazendo quase tudo e um pouco de nada enquanto roubo a tua cena e abro os braços para cair mais rápido no meio desta manhã in media res. Tudo parece tão perfeito quando gozo, quando gosto, quando encosto minha boca em ti e como o melhor pedaço. Sempre morres tão elegantemente porque morrer sempre fez parte da nossa vida. 

Vamos viver essa metáfora, essa (com)pulsão até que não haja mais tempo para a gente ser feliz. Vamos nos sujar de desejo e romper as pequenas barreiras e tabus, correndo nus pela manhã vadia. Temos apenas este dia, esta vontade de ficar à-tôa, esse estranho recorte de tempo onde
eu não sou eu e você deixa de ser você. Esqueça o roteiro decorado, o papel que lhe valeu o meu Oscar e desespero. Você ainda cabe inteiro em mim.


Karla Bardanza








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