Sexo selvagem, hidromassagem e tudo mais que eu puder

 Anka Zhuravleva




 Alguém te perguntou sobre mim? Você conseguiu responder? Conseguiu me definir à meia-luz ou com meias palavras? Eu continuo do mesmo jeito que você me deixou ontem: errada e pela metade, absurda e em dúvida sobre quase tudo que tenha números. Nunca tive uma relação amigável com a matemática. Você falou das minhas manias e esquisitices? Do meu perfume barato e das minhas blusas de dez reais? Contou que a minha energia acaba às dez da noite e que seis horas de sono não são suficientes para mim, mas é tudo que eu tenho, além das contas para pagar e da angústia de não ter nunca ter sido mais fraca do que eu deveria ter sido?

Só de pensar no que foi dito, tenho calafrios, dor de barriga e vertigem. Nunca te falei mais ainda sou virgem para algumas coisas tipo "felizes para sempre" ou " não esquenta a cabeça com isso".
Nunca acreditei que a felicidade estava numa prateleira de mercado, me esperando para levá-la para casa e esquentar no micro-ondas e ai em cinco minutos estava pronta. Sou um fósforo aceso na escuridão. Que luzinha fraquinha, meu deus! Fico ali, queimando todos os meus neurônios diante das coisas mal resolvidas. Acho que estou precisando de um spa, de uma banheira de hidromassagem, de um pouquinho de coragem para perdoar a mim mesma.

Sabe, estive pensando que a gente tem que viver com mais vontade e dar asas aos desejos bobos, toscos e tolos. A gente precisa de coisas que expandem a alma como algumas horas de sexo selvagem com o mesmo cara só para descobrir o que ele ainda esconde ou quem sabe, gastar um dinheiro com bons livros, um cd bacana, perfumes e tudo que se chama vaidade, futilidade e sei lá mais o quê.

Tenho andado pensando na vida. Comecei a fazer isso depois dos quarenta. Estou cheia de preguiça hoje. Não quero fazer nada que me deixa chata e pequena. Vou colocar os pés para o alto e coçar o saco do dia. Vou fechar os olhos e sonhar com coisas de cristal: aquelas que já quebraram. E quando eu me lembrar que eu preciso voltar a ser eu mesma, vou colocar os pés nas nuvens e a cabeça bem perto das estrelas. Quero acorda outra, quero acordar pôrra louca, quero acordar rouca e sexy só para falar "eu te amo" com tesão. Tenho um mundão aqui dentro. O negócio é que nunca perco o eixo e o centro, o foco e o que vier. Mas, vou dar uma folga para a lutadora de boxe de plantão no meu peito e por um dia inteirinho, vou ser apenas mulher.


Karla Bardanza









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