Tudo por uma boa causa

Michelle Ellis





Ela não subiu no pedestal. Foi alguém que a colocou ali e paralisada ela ficou com esse papel que nunca escolheu para si. Ele simplesmente aconteceu após nove luas e o pior é que ninguém mandou um manual com explicação em caso de incêndio para ela ler nas horas vagas. O problema é que ela não pode descer e jogar as pernas para o ar, correr, pintar e bordar, fazer todas as coisas que gente grande faz para ver o tempo derreter os ponteiros do relógio.: esse objeto chato e perigoso que não se pode manter fora do alcance dos olhos e das mãos. Ela também não pode voar com as andorinhas, viajar para detrás do sol, abrir as asas e ficar sem pouso certo.Coitada! Ela não pode fazer nada que não seja certo e exemplar, perfeito e infinito.

Sabe, não foi ela quem escolheu esta sina deformada e caústica. Mas, não há como mudar esse sacerdócio às avessas, esse tiro no pé. O negócio agora é esperar a filha crescer para voltar a ser criança novamente e quem sabe, gastar energia apenas com os erros um pouco mais. Como filhos são investimentos para no mínimo uns 40 anos, ela acredita que lá pelos setenta, ela vai estar verdadeiramente livre para esquecer de verdade quem é e ser apenas o que deixou de ser. Vale a pena esperar.


Karla Bardanza




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