Jogo partido ao meio no meio do dia






E ela gosta tanto de você que me dói. Admito que é uma dorzinha ridícula. Porém, não há muito mais o que fazer além de sentir as nuvens pesando dentro de mim. Logo eu que sempre fui senhora dos céus. Você chegou e espalhou os meus grilos e até as pulgas que eu sempre cultivei alegremente atrás da orelha. Não foi difícil sentir o que ela sente e você consente com discrição e medo, com as mãos no rosto tipo o-que-será-que-essa-porra-vai-dar? Não vai dar em nada porque alguém já deve ter dado... tudo, é claro ...

Assisto o mundo, o mudo espetáculo das entrelinhas, as coisas que me deixam menor e quase mais sozinha. Nelson Rodrigues há de te perdoar. Você é um Nelsinho sem Curitiba para mim. Dalton Trevisan te explica É sempre intrigante não ver para onde você olha ou ver o que você faz um esforço danado para não olhar. E enquanto você nota as minhas flores, eu anoto o teu desespero manso com delicadeza. Na verdade vos digo, amigo: vá (de novo) e na fé. Faça mais uma vez o que você já está acostumado a fazer. Isso deve doer mas se dá prazer...Eu te entendo...Só não me peça respeito porque assim já é demais para alguém incorfomada como eu.

Observo com certo entorpecimento o que está explícito no escuro e implícito nas atitudes, nas altitudes acima do perdão e abaixo do umbigo. Não me renego, não te renego. Não é uma linda palavra quando a gente não tem muito a falar. Minha sabedoria de alcova me fez uma dama: nunca saio antes da hora certa e quando saio, saio esperta. Como morri e os meus bens são poucos e quase loucos, deixo-te apenas um: boa sorte. Todo resto não vale nada diante desse jogo partido ao meio no meio do dia ao meio-dia.



Karla Bardanza









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