Mar quase poético

uma bala perdida me alcançou, rasgando tudo ou quase tudo que vai da alma ao coração. levantei sem pedir socorro. olhei apenas para o espelho em frente, querendo explicações e precedentes. viver é indecente quando a violência está na dor que nos escolhe, nos atos escusos da vida: senhora das traições.

não quero pensar neste vil momento, no vento destruidor, na minha covardia diante dos acontecimentos. estou doente dos olhos. não consigo mais olhar dentro de mim sem chorar, sem dissecar a desnobreza de tudo, sem ver a da faca enterrada todo dia no meu peito.

problemas caem das gavetas, a porta emperra, um medo berra feito louco nos meus bolsos: não posso mais nada de agora em diante. só as distantes estrelas negras me aguardam. e enquanto eu não descubro mais nada, tento buscar a noite no céu da minha boca porém, girar essa chave que me trava e me fechou para balanço quase dói.
cordialmente não aceito mais conceitos, dúvidas ou coisas sem nome.
estou trancada dentro da minha esquisitice. quando o meu coração voltar a crescer, vou entender como é ser gente grande.
por enquanto vou ficar por aqui sendo ridícula, esperando que o mar torne-se poético novamente.

Karla bardanza

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